Eu não sei o que fazer com meu coração

Eu não sei o que fazer com meu coração

11 Comments

  1. Cara, tu é Gênio! Como a Leandra falou, fantástico, só pra variar…

  2. Desculpa o comentário extenso, mas foi a opinião que postei no facebook sobre essa tirinha, a qual particularmente acho sensacional. Sou psicólogo, cursando mestrado em psicologia social, e recorrentemente venho levantado a discussão de que o desamor é um processo coletivo de aceleração de relações pessoais, se deteriorando, graças a primazia do individualismo sendo colocada na sociedade como uma imperativa moral praticamente. Ps.: Qualquer comentário, manda um e-mail ou adiciona no facebook, acho seu trabalho genial e divulgo ele sempre que possível.

    “O mais interessante é, como psicólogo, chutaria que a opinião de Psicólogos ou não, se aproximariam ao olhar à sensação de um coração perdido com desdenho ou demérito. Aos que sofrem, sobram sombras que não podem ser faladas. E a estes sobram tratamento, um quarto claro em uma vida escura.

    E no fim, o coração se perde sendo só uma palavra dentre outras. Desconstrói-se qualquer sonho, se o dono acaba triste, vivendo em um mundo onde se pode vender da imagem até o consumo de qualquer amor acessível.

    Lendo isso, obviamente, tenho empatia pra quem de uma forma ou de outra olha pro próprio peito, e sobram palavras. E mesmo que não exista escolha de esquecer, de voltar a ver no coração só um órgão que pulsa independente de sentimento. Que não caiba apenas a estes o julgamento de melancólicos ou depressivos.

    Em um mundo que corre tanto, aos que – assim como eu – preferem não ir tão rápido. Exista espaço de existir, mesmo ignorantes de não saberem viver como todo mundo.

    E não, não estou fazendo apologia a melancolia, não estou criticando a clínica, mas dou valor ao momento, e mesmo que tivesse tudo perfeito, teria o dobro de carinho pra quem, dentre seus iguais, dá valor igual a seus limites tal como a suas qualidades.

    Gostaria de um mundo onde todos tivessem chances iguais de sentir, e assim, serem ao menos respeitados, já que nem a todos cabe carinho.”

  3. É. Eu poderia tê-lo aqui.
    Lindo, Gus. (como sempre)

  4. “Eu não sei o que fazer com meu coração – Gus Morais

    Eu poderia embrulhar meu coração em papel jornal. Nas fotos de violência seus vermes fariam morada e a tez de sua carne receberia a textura de palavras que não lhe pertencem.
    Eu poderia depositá-lo em um trono, feito de ouro e muitas alturas: o veriam de longe e mensageiros encaminhariam suas frases cheias de erros e dúvidas – mas ao mundo eu pareceria muito certo de mim.
    Eu poderia medi-lo entre réguas e livros, discutir sua coerência entre médicos e críticos: nas atas descreveria o seu ritmo e nas pautas, seu destino. Ainda assim seu sangue brotaria e devolveria cada cálculo ao estágio embrionário de tinta.
    Eu poderia embrutecê-lo e deixar criar uma casca, fazer desta casca meu mau-humor, minha identidade, meu ar de foda-se. Por dentro, seus músculos se enfraqueceriam e não resistiriam à menor gripe que vencesse sua armadura no inverno.
    Eu poderia deixá-lo sobre o ralo, esperando que tampasse mal cheiros e vazamentos – ainda assim receberia sem oposição as lambidas das baratas e causaria enchentes em tempos chuvosos.
    Eu poderia juntá-lo a outro coração, buscar conforto entre veias e carnes alheias – mas de repente conversaríamos em ritmos diferentes, num compasso confuso e um dia um estaria falando alemão e o outro francês e nos perguntaríamos se a função de um coração é, de fato, conversar ou apenas marcar a passagem do tempo.
    Eu poderia carregá-lo no peito, sob essa pele fina que não escapa ao vento, poderia tê-lo próximo da boca, onde suas batidas se traduzissem em palavras mornas e sem importância, poderia tê-lo guardado pela estrutura vazada de pesados ossos para que suportasse a violência do mundo.
    Eu poderia carregá-lo exposto e sem medo de machucá-lo. Poderia tê-lo nos ombros e equilibrá-lo. Poderia tê-lo nas mãos e desenhá-lo. Poderia tê-lo nos pés e driblá-lo…
    Eu poderia tê-lo aqui.”

    Achei tão lindo que digitalizei T-T

  5. Essas são realmente todas as etapas de um coração remendado… Nossa eu amo essa história,é uma das minhas preferidas.

  6. Manda bem demais cara, e devo dizer.. tem uns traços as vezes q lembram sandman do Neil gaiman… loko!

  7. Tem dias em que quero dizer ao mundo exatamente isso,
    mesmo que o mundo não note meu pontinho brilhante nessa imensidão do espaço…

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