Da Web para o Papel – Parte 2
Prossigo aqui descrevendo um pouco do processo de transformar as webcomics em livro impresso. Serei mais enxuto dessa vez. Boa parte do livro está pronta: as histórias antigas estão devidamente diagramadas e resta só definir a ordem delas e outros pormenores. Nos próximos posts soltarei pequenas prévias das hqs inéditas e idéias de capas que estou criando e o livro deve ir para a gráfica no fim de Julho/começo de Agosto.

Bem, vamos lá. Depois de discutir aqui sobre como pensar teu trabalho pra web e papel ao mesmo tempo, queria mostrar algumas etapas desse processo de conceber qual cara o livro terá. São basicamente dois passos que mostro a seguir, com algumas fotos trazendo prévias do material que será impresso:
Passo 1 – Preparo do boneco:
O boneco é um tipo de prévia caseira do livro que você terá na gráfica. No meu caso, após ter definido o formato do livro, imprimi as páginas em casa mesmo e depois as fatiei no formato final. Cheguei neste formato depois de vários testes imprimindo diferentes tamanhos de página, vendo qual permitia um ritmo melhor de leitura e pesquisando também outros quadrinhos em livrarias.
Essa pesquisa em livros já existentes costuma dar segurança na escolha do formato e do papel: alguns formatos são mais baratos que outros para se imprimir em gráficas, pois geram menos perdas de material. Muitos livros costumam conter na última página, também, a gramatura (ou seja, grossura) do papel que foi usado no miolo e na capa.
O interessante de tê-las impressas assim é perceber melhor como o livro vai ficar em sua mão, se teus dedos vão cobrir algum lugar importante da página ao manusear o livro, sentir o ritmo de leitura de cada história com maior concentração, etc.
Agrupei cada história em um caderninho separado. Grudei as páginas com pequenos grampos, de forma que eu possa manusear melhor qual história vem depois de qual. Por exemplo, se uma história acabar numa página ímpar, posso grudar a primeira página de outra história em seu verso usando um grampo. No fim, ao ligar um caderninho no outro, tenho a ordem exata que o livro terá quando estiver pronto. Veja os caderninhos separados (e como vai ter história pra caramba no livro!)
Passo 2 – Pensar a experiência da leitura:
Como agrupar histórias com temas e pegadas diferentes? Ao fazer uma leitura geral dos quadrinhos vi que tenho umas poucas histórias de humor, outras com sarcasmo, uma penca de histórias melancólicas e reflexivas. Poderia agrupá-las por data de publicação; mas tenho dúvidas se seria a forma mais interessante de propor uma leitura linear de um livro. Não ficaria repetitivo para quem já acompanha o blog? E será que se eu botar 15 histórias melancólicas seguidas o leitor não morre antes de ler tudo e abandona o livro? Por outro lado, se eu intercalar uma de humor e uma depressiva, o leitor não vai saber se ri ou chora cada vez que começa uma história nova: o que foi lido antes interfere no humor e no olhar que influenciará a leitura da história que aparece depois. Esse processo lembra muito a escolha da ordem das músicas em um CD.
Criar contextos em que as histórias possam ser agrupadas pode dar força e coerência para elas, além de deixar o leitor mais de “sobreaviso”, tipo: “olha, amigo, neste capítulo teremos histórias mais densas – prepare um cafézinho e se concentre“.
Ao menos no meu caso, pensei que as histórias poderiam ser agrupadas em 4 grupos diferentes. Histórias com clima tal entram no grupo A, histórias com clima tal entram no grupo B e daí por diante. Dentro desses grupos, também é necessário pensar se o ritmo das histórias combina, se a leitura flui bem de uma para outra. É um processo difícil: pede a mudança de postura do olhar de criador/leitor para o olhar de um editor. E por esse motivo devo contar com a ajuda do cuidadoso olhar do meu colega Caio F. Paes do Hq Subversiva (e autor da história Denominador Comum) para chegar numa proposta legal de ordenação das histórias dentro de grupos bem coerentes e interessantes.
Como o livro está em produção talvez estes agrupamentos mudem ou talvez eu faça tudo de um jeito um pouco diferente – mas por ora, penso que separar as histórias por grupo pode trazer um clima e ritmo de leitura mais apropriado pra cada uma delas.
É isso! A partir dos próximos posts paro com esse blá blá blá e devo soltar algumas pequenas prévias do material inédito que estará no livro.
Um abraço,
Gus Morais



Aguardo ansioso pra adquirir o meu!
Aguardo ansioso pra adquirir o meu!²
Valeu, Digo e Paulo pelo apoio!
Capricha bem, pois estou bem ansioso esperando a publicação! Como fazer para ganhar um autografado?
To achando muito legal essa sua iniciativa de mostrar como trazer as HQ’s da tela para o papel, tomei um susto quando abri o site e vi que tinha mudado o formato e muitas outras coisas. Minha pergunta é a seguinte, como fazer o inverso? levar as histórias do papel para tela? como você faz e cria as histórias, sempre tive essa curiosidade pois os desenhos são bem detalhados e não parece que foi algo feito usando um mouse! Se puder responder ficarei muito agradecido sou muito curioso! rs
abraços e boa sorte nesse projeto!